Montanhas lindas!

 

 

Pelas minhas Montanhas Lindas, cada vez mais «pertinho do céu», agora pelo Muranho

 
                 
     
         
          São as mais belas montanhas de Portugal  
         
     
 

São lindas ao sol, à chuva, no horizonte da escura noite. São belas!

Vocês nunca compreenderão o que são montanhas …

  • se não as pisarem com os próprios pés;

  • se não sentirem na biqueira da bota a carícia da pedra;

  • se não sentirem sobre a canela o roçar espinhoso do tojo;

  • se não receberem, de volta a meiguice da giesta no retorno, querendo repetir o contacto;

  • se não sentirem na ponta do nariz o vergastar da urze, porque pisada, torcida, descascada  requer vingança por tão     atroz atrevimento;

 

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Corga Grande

 
                         
     
         
 

Eu cheguei, olhei e verifiquei o que já sabia. Lá longe, sempre ao longe, as montanhas apelam à minha presença.

«Anda Ventor! Tu és o filho do nosso contentamento. Tu beijas-nos com o teu olhar sereno, e fazes passar sobre nós os rios de alegrias do nosso passado. A tua presença, é para nós, a vontade de permanecer robustas e eternas. Por ti enfrentamos todas as forças abrasivas dos dilúvios seculares, que permanentemente, nos vergastam nos Invernos rigorosos das investidas furiosas dos deuses que, “macabros”, tudo fazem para nos planar.

As águas que vês correr pelas nossas encostas, são lágrimas de felicidade provocadas pela alegria ímpar das musas que, no seu contentamento, extravasam cânticos, pela tua chegada, chorando as tristezas dos tempos de espera.

Ouves Ventor? Aos nossos murmúrios juntam-se os murmúrios das Tâgides, que te acompanham, pelas nuvens, receosas que com elas não queiras voltar! No alto da Derrilheira, elas cantam e dançam em tua honra, juntamente com as sempre eternas e murmurantes musas das fontes!

 
         
     
         
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Não posso esquecer as Fontes

 

Na Fonte da Naia, chora-se a tristeza de lá não passares. Nos Cortelhos do Muranho, as almas suevas, aguardam em vão a tua passagem, na tristeza incontida da espera. No alto da Portela, a senhora da Peneda, espera que o teu sorriso abrace os vales que o levarão até à Meadinha, mas no seu cândido olhar, só te aguarda, acompanhado de Apolo, no próximo Verão!

No Alto do Gondomil, há uma assembleia dos duendes, para convidar-te a uma subida, e olhares, pelo menos, os choros das meia-encostas, enquanto na nascente das Fontes, as musas te abraçam e beijam com a mais pura das águas, que tu nunca te cansas de olhar, tocar e beber!

         
         
     
         
 

Todas as montanhas estão em festa, cantando, chorando, murmurando! Ventor...Ventor … Ventor.!!!!!!!!

Em cada gota de água, há uma lágrima, de Diana, pelos tempos perdidos nas caminhadas que nunca deveriam ter fim. Vénus chora de inveja, de te olhar alegre e espreguiçando-te ao raiar da aurora, sempre cheio de pressa na tentativa de subir a serra, antes de Apolo começar a queimar.

Neptuno ruído de inveja, lança cântaros de água, sobre tudo que é passagem, tentando que esmoreças a vontade de te aproximares das fadas nebolosas que lhe alimentam o mar.

 
         
     
         
 

 

As nossas lágrimas, enchem as córegas de água, para regar os matos, os arbustos, as ervas, e as árvores, que tanto nos embelezam, e que no próximo Verão te aguardarão, verdes de esperança para te abraçar quando voltares resoluto e pronto a subires nas nossas verticais, até ao horizonte mais vasto, do nosso contentamento – a Pedrada.

Verás as rezes dos rouceiros, os garranos e os gados soajeiros que montanha acima te aguardarão no alto da Pedrada, na Fonte das Forcadas, na Corga da Vagem, na fonte do Avô, no Poulo dos Bicos, no Muranho, no Curral do Pai, na Seida, no Fojo do Lobo e em tudo que a alma sueva se encontre representada»!

Esta, é a mensagem que as montanhas da minha serra de Soajo me transmitiram, e que eu retransmito a todos os meus amigos perdidos por este espaço virtual.

 
                         
     
         
  Mas o Ventor continua pelas suas montanhas e vai descendo até às  Antas do Mesio. Ele não se cansa de falar delas. Venham comigo gato8.jpg e ouçam-no ou então regressem à Grande Caminhada. Lá haverão outros motivos.