|
A Ponte de Adrão |
||||
|
No lugar de Adrão existe uma ponte sobre o rio. Diz o Ventor que já foi a maior ponte sobre o maior rio. Belos tempos! A altura era enorme e o rio levava água que parecia chegar para afogar o Mundo. Nessa ponte, em tempos passados, Teresa, a querida mãe do Ventor, ainda o olhava com a alegria que a velhice começada a estampar-se sobre ela, lho permitia - saudades! Nas amparas da ponte ela debruçava-se a olhar o seu rebento de séculos. Ele corria em todas as direcções e ela olhava-o, pois os tempos de outrora corriam ziguezagueando tal como o Ventor sempre fazia. Agora separados pelas trevas, os dois tentam prosseguir nos caminhos da luz. |
Ponte de Adrão e o nosso Moinho, agora sempre de porta fechada |
|||
|
Ponte de Adrão vista do lado de Outeiros |
Esta é a aldeia que viu nascer o Ventor, onde viu o Sol pela primeira vez. O sol ao nascer, entrava pela janela e iluminava a micro poeira no interior da casa, qual Universo em movimento, e ele, à medida que crescia, despendia parte do seu tempo a admirar as partículas de pó flutuando nos raios de luz que Apolo lhe enviava. Nesta ponte, o Ventor viu, noutros tempos, correr dilúvios de água que chegavam a encher os buracos por onde a ponte a canalizava e, através deles passava correndo e saudando, nas sua cantorias, todo o Universo. Por aqui continua correndo todos os anos a bela Gotinha, velha companheira do Ventor, que vai e vem, vem e vai, subindo e descendo, sempre chorando pelo seu velho amigo de outros tempos. Sempre que se encontram, no leito do seu rio eles se abraçam e choram por alegrias passadas que não serão certezas de alegrias futuras. |
|
A minha donajá foi cativada pelas montanhas de Adrão e sabe observá-las com muita atenção. Infelizmente nunca foi capaz de as calcorrear para poder usufruir daquelas maravilhas na companhia do Ventor. Mas ela já sabe que olhá-las é um regalo para a vista e para a mente de todos que passam por Adrão. Para o Ventor, diz-nos ele, em todos os cabeços e penedias, mora a saudade. Ela sabe-o e, por isso, fixa cada silhueta daquelas belezas que o Ventor conhece também e das quais ele tão bem nos sabe falar. Ela está no Marco d'Além, mantém Adrão à retaguarda para poder olhar e observar as encostas que sobem até ao Alto do Gondomil, onde os duendes se reúnem em Assembleia para poderem conversar sobre todos os problemas que levaram a gente de Adrão à grande Diáspora das suas vidas. |
Gisela observando as montanhas de Adrão. Há muito a explorar dentro da linha do Horizonte |
|
O Ventor nasceu neste belo Lugar de Adrão, em 1946, num dia de Reis gelado. Viveu por lá até aos 15 anos. Partiu para Lisboa, em Março de 1961, onde ficou com gente amiga, cinco dias, na Av. Infante Santo. Caminhou por Lisboa, onde se perdia e depois se guiava pelo campanário da Basílica da Estrela. Um dia foi visitar uns amigos ao Seixal e encontrou trabalho, em Almada, no seu amigo Joaquim da "Chica". Voltou a Lisboa 8 meses depois, onde arranjou outro emprego. Estudou, à noite, até aos 20 anos, quando foi soprado por Ventos de Guerra e se alistou como voluntário na Força Aérea Portuguesa. Desta parte eu vos falarei, sobre o tempo do Ventor em Lisboa e também do Ventor em África, pois desses tempos o Ventor já me contou muitas histórias dessas suas caminhadas e de belos pedaços da sua vida que prtilhará comigo e eu convosco. |
Aqui foi a escola do Ventor da 1ª à 4ª Classe. Aqui cresceu, estudou, brincou, jogou futebol. Aqui, o Ventor sentiu-se Rei do Mundo! |
|
Adrão vista do Marco d'Além |
Na Base Aérea Nº2 - na OTA, subiu mais uns lances para completar o estatuto de homem. Foi colocado, em Lisboa, no GDACI - Grupo de Detecção, Alerta e Conduta de Intersecção, que o enviou para a DGCTA- Direcção Geral de Comunicações e Tráfego Aéreo, na Av. António Augusto de Aguiar, Nº21, cerca de 8 meses, e dali, foi mobilizado para a 3ª Região Aérea - Moçambique. Partiu de Lisboa, em 04 de Janeiro de 1968 e, ao chegar a Lourenço Marques, recebeu Guia de Marcha, para o AB6 - Nova Freixo, no Distrito do Niassa, terras do fim do Mundo. Andou por ali 26 meses. Falarei destes troços da caminhada do Ventor, mais adiante, num outro Site a que chamei: Ventor em África. Esta é a imagem de Adrão vista do Marco d'Além. É assim que se vê Adrão das montanhas a leste. É assim que as pessoas de Paradela e da Várzea vêm Adrão, à partida ou à chegada. Foi assim que o Ventor viu Adrão, deste local, em 2001. |
|
Sigam comigo |