meta http-equiv="Content-Type" content="text/html; charset=windows-1252">
| Curral das Cabras | ||
| Caminhando no Sonho | ||
![]() Carvalhos - árvores frondosas Caminhar à sombra dos carvalhos do Curral das Cabras, é o sonho das gentes que vivem nos paralelepípedos |
"Disse-me o Ventor que, caminhar no Curral das Cabras, rumo à Assureira, era como caminhar no melhor dos mundos imaginários. Havia por ali grandes prados de feno envolvidos à esquerda, parte de cima, por grandes bouças de carvalhos e sobreiros, giestas, tojos e silvas; pela parte de baixo os prados, no fundo dos quais, corria o nosso rio, rumo ao Lima, para o alimentar e engrossar. Nas margens do rio, os carvalhos e vidoeiros penetravam no céu e, à sua volta, ramadas de arbustos como salgueiros, silvas, giestas, sanguinhos, etç., e enleados nos caules dos carvalhos e nas rochas debruçadas sobre as águas, como que a matar a sede, estavam extensos tapetes de heras verdes como a desafiar as águas que cantarolavam num som ruidoso a alegria de terem um rumo estabelecido - a liberdade. Na margem direita do nosso rio, elevava-se o monte do Curvação, por onde se deleitavam as ovelhas, e as vacas. Junto ao rio fica o Curral das Cabras e, a seguir, a Assureira. Quando havia neve na serra, a Assureira era um refúgio dos gados e das gentes! |
|
|
Nestes prados de feno, pela Primavera e Verão, rodopiava tudo o que era vida. Por ali rebolavam todos os tipos de insectos, no meio de imensas flores policromadas e se confundiam as flores e as lindas borboletas, contentamento das gentes! Sobre as flores "pastavam" as joaninhas, as borboletas, as abelhas, os gafanhotos, os pirilampos e, pelo meio das ervas verdes, rastejavam lagartixas e lagartos, licranços, cantavam grilos, saltavam gafanhotos, caminhavam escaravelhos de todos os tipos e na peugada dessa bicharada, esvoaçavam todos os tipos de pássaros. Fetos, azevinhos, salgueiros, carvalhos, fenos e flores, muitas flores! Era uma beleza o Curral das Cabras. Hoje só há matos! |
![]() Os carvalhos e as bolotas já foram, noutros tempos, entretimento do Ventor |
|
![]() «Entre os carvalhos do Curral das Cabras, haviam vidoeiros, salgueiros, rochas e muros cobertos de heras e, já na altura, os caminhos começavam a ficar cheios de vários matos que hoje são barreira absoluta à passagem das gentes. No fundo dos prados, corria o nosso rio cheio de trutas, libelinhas, melros d'água. guarda-rios, toupeiras d'água e muitos animais que foram e são ainda, mentalmente, companheiros do Ventor. Por ali continua a passar a minha Gotinha cheia de saudades do Ventor. Todos que lá passam, ouvirão, por entre os carvalhos, a minha Gotinha gritar pelo Ventor. "Ventor! Ventor! Vent ..."» |
De carvalho em carvalho, de salgueiro em salgueiro, de matagal em matagal, esvoaça tudo o que tem asas! Vêm-se rolas e pombos, gaios e melros, pardais, papa-figos, abelharucos, e pelo rio abaixo ou pelo rio acima, circulam os melros de água, os guarda-rios, as lavandiscas e um sem fim de libelinhas e tira-olhos. Nos poços de água corrente caminha, de quando em vez, uma cobra, de rocha em rocha, à procura de alimento e, por vezes, lá vai uma com uma truta na boca pronta a ser engolida. É um remoinho de vida ou de morte em tudo o que tem de belo e de macabro! Mas a beleza nasce com o florescer das árvores de fruta. Rebenta tudo num hino à vida. Macieiras, pereiras, ameixieiras, pessegueiros, são autênticos jardins aéreos. Entre as bouças e os prados segue o sangue da gente numa outra veia-cava. É o rego da sede que numa leva permanente encaminha a água para as regas do milho e tudo que por ali é bombear de alimentos para as pessoas da terra e dos animais. A vida está presente com a água a escorrer pelos socalcos de lavoura para lavoura, e é permanente o cheiro do perfume que nos envolve! Era uma fertilidade em pássaros. Gaios, rolas, pombos, melros, entre toda a passarada, eram meus companheiros em horas de solidão! Por vezes, milhafres e águias!
|
|
|
Vamos
|
||